Governo do Distrito Federal
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23/10/20 às 15h26 - Atualizado em 24/10/20 às 8h51

Ao completar 30 anos, Mala do Livro coleciona histórias de superação

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Texto: Alexandre Freire / Edição: Sâmea Andrade (Ascom Secec)

23/10/2020

15:30:23

 

Uma mala cheia de histórias, encadernadas na forma de livros ou impressas na alma de gente que mudou vidas, completa 30 anos este mês. Trata-se do Programa de Extensão Bibliotecária Mala do Livro – Biblioteca Domiciliar, iniciativa de estado do GDF sob o guarda-chuva da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), formalizado pelo Decreto nº 17.927, de 20 de dezembro de 1996, seis anos depois da experiência pioneira que surgiu da iniciativa da bibliotecária Neusa Dourado Freire, hoje com 80 anos.

 

Neste sábado (24.10), essa história é contada na live “Mala do Livro: 30 anos de Contos e Encantos”, às 10h, no canal do YouTube da BNB, com a professora Maria José Lira Vieira. Assista (aqui).

 

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Tudo começou na então recém-implantada Região Administrativa (RA) de Samambaia, criada em 1989 para assentar famílias oriundas de invasões em diversas partes do Distrito Federal. “Com uma explosão demográfica superior ao seu desenvolvimento urbanístico, social e de infraestrutura, Samambaia contava apenas com uma  pequena biblioteca  localizada na Casa da Cultura”, registra Neusa na edição de janeiro-junho de 2020 da “Revista Eletrônica da Associação de Bibliotecários e Profissionais da Ciência da Informação (ABDF)”, que a homenageia em editorial.

 

NEUSA, A CONTADORA DE HISTÓRIAS

 

Neusa relata que um colega, bibliotecário como ela, mencionou em certa ocasião que, na França, tinha ouvido falar de outra colega de profissão, Geneviève Patte, que levava livros numa bandeja para subúrbios de Paris, interessada em alcançar crianças distantes de equipamentos de leitura. Elas liam nas praças quando o clima permitia. Aquilo ficou na cabeça de Neusa, que logo imaginou substituir as bandejas por cestas de palha, mais próximas de nossa identidade, para acomodar os pequenos tesouros da humanidade. “Adquiri duas cestas, selecionei um acervo básico e fui confiante a Samambaia, mas não encontrei praça com espaços para acomodar meu serviço de extensão”, rememora.

 

Engana-se quem acha que Neusa, natural da Bahia, esmoreceu. Movida por uma espécie de mantra – “transformar o não leitor em leitor” –, procurou líderes na comunidade local e propôs a criação de bibliotecas domiciliares. Eles entrariam com um espaço em suas casas, a referência na comunidade e o desejo de ter livros por perto; a Secec forneceria acervo e capacitação para lidar com empréstimos e devoluções.  “Retomamos as duas cestas e as entregamos nas residências dos líderes comunitários Joana D’Arc Marçau e Antônio de Araújo, os pioneiros. Em 1995, alocamos mais um acervo em Samambaia e, a partir dessa data, a Mala do Livro rompeu suas fronteiras de origem”, conta.

 

MALAS MULTIPLICADAS

 

E a Mala rompeu com a força que têm as palavras. As cestas cederam espaço a caixas-estantes em todas as RAs e em locais no entorno da capital federal. Um engenhoso móvel, feito em madeira ou compensado, se fecha como caixa e se abre como estante, comportando entre 140 e 180 livros, numa seleção de títulos adaptada aos interesses da comunidade, um dos eixos do programa, que responde a demandas das pessoas, não impondo nada. Além de livros didáticos e de referência, há literatura, entre clássicos infanto-juvenis e para adultos, do Brasil e do mundo. E também gibis e títulos ensinando a fazer coisas, empoderando com bricolagem pessoas com necessidade de tudo. Uma mala para as viagens que a imaginação ousar, primeiro passo para tantas realizações que três décadas testemunham.

 

Hoje há 193 unidades, sendo 107 domiciliares e 86 em instituições públicas e privadas. A diretora da Biblioteca Nacional de Brasília (BNB), a principal biblioteca pública do DF e que coordena o esforço, Elisa Raquel Sousa Oliveira, calcula que a Mala do Livro atende atualmente 18 mil pessoas por ano, tendo alcançado em três décadas algo na casa dos 100 mil usuários. A história da Mala do Livro, assinada em sua maioria por mulheres, cabeças de família e habituadas a lutar contra as probabilidades por um futuro melhor para os filhos, traz muitos relatos de superação.

 

Raio X da Mala (médias mensais)

Empréstimos: 2 mil

Visitas a cada agente de leitura: 45

Trocas de acervo: 15

Implantações de mini bibliotecas: 4

Participações em eventos culturais em 2020 antes da pandemia (janeiro a março): 15

 

Cadastro para ser agente de leitura

maladolivro@gmail.com

(061)3325-2607

 

Associação dos Agentes de Leitura e Contadores de História do DF – Aaconte

e-mail: aacontedf@gmail.com

 

“Revista Eletrônica da Associação de Bibliotecários e Profissionais da Ciência da Informação (ABDF)”

Artigo de Neusa Dourado que aborda a Mala do Livro

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)

E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br