Governo do Distrito Federal
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5/03/14 às 18h10 - Atualizado em 13/11/18 às 14h45

Algo de novo no reinado de Momo

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Retomo uma reflexão que venho propondo desde que assumimos há pouco mais de três anos o Governo do Distrito Federal, para atualizá-la e oferece-la como desafio. Um fenômeno cada vez mais expressivo nos últimos anos ocorre no carnaval brasileiro. O Carnaval Espetáculo, leia-se desfiles das Escolas de Samba, que durante longos anos monopolizou a atenção dos expectadores em suas poltronas, desde os anos da Ditadura Militar, período em que o medo retinha as pessoas dentro de suas casas, vem dando lugar ao Carnaval Participação, com os Blocos de rua mobilizando multidões cada vez maiores durante os quatro dias do reinado de Momo. 
 
Em certo sentido pode-se constatar um retorno às origens, ao Carnaval brincadeira, à folia em que, a rigor, rompe-se o limite entre palco e plateia, dissolve-se a condição de ator e expectador. Todos são foliões. Todos são protagonistas. Regressamos assim, com força, ao princípio: “Carnaval é o momento da liberdade, da alegria. Quem faz o Carnaval é o folião”. Um princípio que, afinal, só se manifesta plenamente numa Democracia.
 
Brasília reflete, à sua maneira, o que se observa em vários aspectos do comportamento da sociedade brasileira. Como a Capital concentra a multiplicidade das expressões culturais do país – entendidas aqui como atitudes, comportamentos – confere visibilidade a elas e contribui com os gestores, no âmbito do governo e com as lideranças das agremiações, no âmbito da sociedade, para a formulação de soluções que aprimorem os processos produtivos, de divulgação e da oferta adequada dos serviços públicos aos cidadãos, nesses momentos de festa e de alegria. 
 
O moderno padrão das estruturas e dos serviços oferecidos no novo espaço da Passarela do Samba, no Plano Piloto, desde 2013, exigirá das Escolas um padrão de qualidade equivalente dos desfiles, que justifique o investimento público, a atenção e o apreço dos brasilienses e dos visitantes amantes do samba. O mesmo vale para os Blocos que multiplicaram o público mobilizado nos quatro dias de folia, acima das expectativas do governo e da própria Liga, apresentando novos desafios aos organizadores. 
 
Atentos a esse fenômeno de alcance nacional, o desafio é ampliar e consolidar a participação da iniciativa privada como patrocinadora dos festejos de Momo na capital da república. Esse deve ser um objetivo comum ao Governo do Distrito Federal, às Escolas e aos Blocos. Alcançar tal objetivo passa pelo diálogo qualificado entre os protagonistas na busca de soluções conjuntas e duradouras. Tanto no que toca à adequação dos instrumentos legais à disposição do governo, como forma de tornar atrativo o investimento do setor privado, passando pela definição e organização dos espaços e do calendário – afinal a produção do Carnaval não se restringe aos quatro dias de folia – quanto da dotação das estruturas necessárias ao conforto e segurança dos foliões e dos moradores das quadras próximas ao percurso dos Blocos.
 
Em pauta dois temas de uma agenda que vem de longe: a reivindicação antiga das Escolas de Samba demandando o “Endereço”, ou seja, a área permanente para a construção do “Barracão” que fará delas uma referência permanente para suas comunidades, como ocorreu em outros lugares do país. E o espaço permanente para a realização dos desfiles. A experiência dos dois últimos anos – 2013 e 2014 – indica que podemos ter encontrado a localização adequada para erigir o espaço cultural multiuso que possa abrigar em caráter permanente as atividades dos protagonistas do carnaval. 
 
Esses dois temas se constituem como aspectos centrais da pauta do diálogo entre o poder público e as Escolas. Ao sancionar a Lei do Carnaval, em dezembro de 2012, o governador Agnelo Queiroz assegurou um grau de institucionalização que não se conhecia antes: o GDF pode aportar a primeira parcela dos recursos destinados ao Carnaval no exercício fiscal anterior. Trata-se de uma conquista para a sociedade, para os contribuintes, para os protagonistas do carnaval e para o Estado: porque racionaliza o investimento público, qualifica a confecção dos carros alegóricos, fantasias, adereços, alegorias, reduz a improvisação e assegura a qualificação cada vez maior de um momento de forte afirmação das identidades culturais brasileiras na capital da república.
 
Trata-se, a partir de agora, de prosseguir o diálogo entre as instâncias de governo e os protagonistas do Carnaval do Distrito Federal para consolidá-lo como um momento forte dos festejos de Momo no país, trazendo consigo a diversidade cultural de todos os carnavais do Brasil e se afirmando como um apelo turístico para brasileiros e estrangeiros que nos visitam nesse período. 
 
 
Brasília, quarta-feira de cinzas de 2014.
Hamilton Pereira – Secretário de Cultura