Governo do Distrito Federal
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29/06/14 às 14h45 - Atualizado em 13/11/18 às 14h49

Abertura do Seminário Internacional de Dança marca 50 anos do golpe militar

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Evento homenageia Claudio Santoro nesta edição

A abertura do XXIV Seminário Internacional de Dança de Brasília, realizada no Teatro da Praça, em Taguatinga, no dia 27 de junho, apresentou o espetáculo “1964” da Companhia de Dança Faces Ocultas. Este ano, o Seminário é dedicado a Claudio Santoro pelos 95 anos de nascimento, 25 de falecimento e 35 de inauguração do Teatro Nacional e de criação da Orquestra Sinfônica.

O espetáculo marca os 50 anos do golpe militar no Brasil. Gisèle Santoro, criadora do Seminário e esposa de Claudio Santoro, ressalta a relevância da reprodução desse período no palco.

“É uma homenagem às pessoas que lutaram, sofreram e acreditaram em um Brasil mais justo e mais igualitário”, disse.

Durante a cerimônia, o Secretário de Cultura, Hamilton Pereira, foi homenageado pela representatividade e produção cultural durante o regime militar, quando esteve preso por lutar contra o governo.

No palco, 23 bailarinos profissionais e amadores transmitiram ao público um misto de sentimentos com um espetáculo de carga emocional forte. O diretor da Companhia de Dança Faces Ocultas, Arilton Assunção, responsável pela coreografia, revela o esforço para o sucesso da performance.

“Hoje foi a primeira vez que conseguimos reunir todo o elenco, é complicado conciliar as agendas de todos os bailarinos. O espetáculo não tem apenas a parte coreográfica, fizemos uma pesquisa extensa e trabalhamos com professores de teatro e expressão corporal”, explicou.

Seminário

Criado há 24 anos por Gisèle Santoro, o Seminário Internacional de Dança de Brasília é um espaço acadêmico para o aperfeiçoamento de bailarinos. Além disso, os dançarinos tem a chance de disputar bolsas de estudos para carreiras internacionais.

“Com mestres vindos do exterior, ele refina todo o conhecimento de dança; com a montagem de espetáculos de alto nível com profissionais de alto gabarito, ele dá a experiência de como se faz um espetáculo profissional; oferecendo as bolsas, ele abre portas para uma carreira no exterior”.

O Secretário de Cultura definiu o Seminário como um formador de talentos. “É um espaço de formação, reflexão, memória e intercâmbio. É uma mostra de diferentes expressões da dança seja clássica, popular ou contemporânea. No Brasil, temos uma visão equivocada de que quem tem talento tem tudo. Mas, na verdade, quem tem talento tem ponto de partida. É preciso trabalhar e moldar para que o talento alcance sua plenitude e o Seminário proporciona isso”, afirmou.

O diretor da Companhia de Dança Faces Ocultas, Arilton Assunção, fez parte do primeiro Seminário Internacional de Dança de Brasília. Em outras participações, foi premiado e teve alunos ganhadores de bolsas de estudos.

“Hoje, voltei como diretor da Companhia convidada. Essa é a prova de que o Seminário é importante. Ver bailarinos e companhias emergentes com possibilidade de crescimento é encantador”, completou.

Membro do corpo docente, a americana Kara Abiog participou inúmeras vezes do Seminário e revela: “É muito legal ver as surpresas de cada ano. Os bailarinos que vêm são movidos pela paixão e pelo desejo de crescer na dança. Quando temos a oportunidade de dar a essas pessoas a oportunidade de atuar fora do Brasil é muito gratificante”.

Ana Clara Nunes, de 15 anos, participa pela terceira vez e tem sede de conhecimento. “Comecei a dançar há pouco tempo e sinto que preciso correr atrás. Nos anos anteriores eu vim para fazer curso e, agora, vou competir. Conviver com professores de fora é um grande presente, pela técnica e pela experiência que eles têm”, declarou.