Governo do Distrito Federal
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6/12/12 às 14h49 - Atualizado em 13/11/18 às 14h38

À Luz da Criação

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Exposição no Museu Nacional

Museu Nacional da República recebe exposição do pintor venezuelano Armando Reverón, o artista que, como um antropólogo natural, buscou representar a visão do homem tropical por meio da luz

De 7 de dezembro a 10 de fevereiro de 2013, o Museu Nacional da República recebe exposição de Armando Reverón, um reconhecido artista venezuelano que, diferentemente de seus contemporâneos, renunciou à glória dos grandes salões e retirou-se para um solitário lugar da costa do Caribe em busca de um estilo próprio.

A mostra Relâmpago Capturado, uma realização do Museu Nacional da República, por meio da Secretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal, em parceria com os Ministérios das Relações Exteriores do Brasil e da Venezuela e as embaixadas com sede nos dois países irmãos, no âmbito do Mercosul, traz 174 obras, entre pinturas, desenhos, objetos e fotografias, deste pintor nascido em Caracas, em 1889, e falecido na mesma cidade, em 1954.

Segundo Wagner Barja, curador da exposição, as primeiras obras de Reverón já se destacavam das vanguardas da América Latina por concentrarem um estilo único e indissociável de sua marca registrada: a exacerbada pulsão experimental. Essa característica resultou em formas distintas e extremamente sofisticadas. “Pode-se dizer que sua intensa produção pictórica situou-se entre o pós-impressionismo e o início do abstracionismo”, explica. E acrescenta: “Os visitantes terão a oportunidade de conhecer a obra deste artista que captou e transmitiu toda a luminosidade do trópico para suas telas de uma forma muito singular”.

A obra de Reverón é conhecida por ser repleta de imagens oníricas, desfocadas, com uma luz intensa e muitas cores, ou mesmo a falta delas. O artista soube trabalhar a luz tropical como ninguém e seu trabalho é dividido em três períodos: azul, branco e sépia. Também merecem destaque suas bonecas de pano, que tinham imponente tamanho natural de uma mulher.

Ele as confeccionava costurando os tecidos e as preenchia com papel jornal. Sobre a superfície de pano, pintava as partes íntimas e modelava os detalhes do rosto. Foi em El Castillete, sua moradia e atelier – localizada em Macuto, uma distante praia na costa central venezuelana – que Reverón construiu um espaço de convívio artístico onde foram criadas essas bonecas e os objetos que habitariam suas obras.

Alheio a qualquer enquadramento acadêmico, ele conseguiu esquivar-se das amarras das “Belas Artes” para criar um mundo liberado, lúdico, teatral e sempre autêntico. “Espontâneo e criador genuíno, Reverón – o ‘mestre da luz’ – consegue,na sua obra, que as expressões locais dialoguem com contextos que transcendem fronteiras, nos presenteando com a genial estética da sua cotidianidade, a qual expressa a riqueza de uma vida entregue à criação”, afirma o ministro da Cultura da Venezuela, Pedro Cazaldilla.

Sobre o artista – Armando Reverón nasceu em Caracas, na Venezuela, em 1889. Em 1908 entrou para a Academia de Belas Artes de Caracas e já no ano seguinte participava de uma greve que reivindicava reformas acadêmicas.

Em 1911, foi para a Europa, beneficiado por uma bolsa de estudos da municipalidade de Caracas, e ingressou na Escola de Artes e Ofícios de Barcelona. Voltou para a Venezuela, onde ficou por alguns meses. Retornou em 1912 para a Espanha, dessa vez Madri, onde estudou na Academia de San Fernando. Dois anos depois, Reverón visitou Paris, e em 1915 regressou à Venezuela. Em Caracas, integrou o Círculo de Belas Artes, sob orientação impressionista.

Entre 1919 e 1924, desenvolveu uma pintura em tons monocromáticos, sustentada pelo azul. Recebeu influências de Samys Munster, Emilio Boggio e, especialmente de Nícolas Ferdinandov, russo simbolista radicado na Venezuela. Em 1920, mudou-se para Macuto com sua esposa Juanita Rios, e construiu seu rancho nesse lugar do litoral caribenho.

De 1925 a 1936, dedicou-se a um tipo de pintura que utilizava pouco material. Estava em busca de um desenho luminoso, e esta fase é conhecida como “época blanca”. Além de usar sua esposa como modelo, fazia para ela bonecas que ele mesmo fabricava. Entre 1936 e 1949, utilizou predominantemente a cor sépia, além de confeccionar diversos objetos, entre eles esqueletos de arame e máscaras de telas.

Programe-se: ExposiçãoRelâmpago Capturado”, de 08/12/2012 a 10/02/2013, de terça a domingo, das 9h às 18h, no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República (Setor Cultural Sul, lote 2). Informações e agendamento de visitas escolares pelo telefone (61) 3325-2589. Entrada franca. Classificação indicativa livre.