Governo do Distrito Federal
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27/11/12 às 18h15 - Atualizado em 13/11/18 às 14h38

A Ilha da Fantasia

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Projeto da Secretaria de Desenvolvimento Social, com apoio da Secretaria de Cultura do DF, Miss da Rua, resgata moradoras de rua e as transforma em modelos. 

Joice Gomes dá os últimos retoques na maquiagem. Mônica Carvalho diz que se sente uma verdadeira miss. Grávida de nove meses, Cíntia Fernandes é só agradecimento: “Estou redescobrindo minha autoestima, o brilho que tem dentro de mim.”
 
Elas não são artistas de TV ou cinema. Já foram parar na televisão, mas de um jeito que ninguém gosta de aparecer: usando drogas e correndo da polícia.
 
Moradoras de rua, estão entre nove mulheres da periferia de Brasília a quem a vida sequer acenava com um futuro diferente, mas viram seus destinos mudar nos últimos meses.
 
Como num passe de mágica, foram resgatadas da solidão e alçadas ao glamour das passarelas e da beleza.
 
A madrinha que as transformou não tem nome de fada. Ex-miss Distrito Federal, durante seis meses Karla Lourenço driblou os perigos da rua e, ao lado de servidores da Sedest, percorreu invasões e cortiços para convencer as 'modelos' a buscar uma vida de sonhos.
 
Nesse período, as nove mulheres passaram por um processo de treinamento puxado. Nada que não fosse tirado de letra. “Quem resiste à rua, enfrenta qualquer parada”, diz uma delas.
 
A 'parada' em questão incluiu cursos de automaquiagem, pintura em tecidos, aulas de passarela, um dia de beleza num salão do Lago Sul, bairro nobre de Brasília, e um book.
 
No dia do desfile, nada de disputa pelo posto de mais bonita ou mais elegante. “Aqui nós conquistamos o troféu dignidade”, conta outra miss.
 
A mais nova do grupo tem 19 anos. Vanessa do Socorro surge na passarela com jeito e pose de miss. Até o aceno de mão típico desses concursos ela aprendeu. “Meu sonho é ser cantora”, conta a menina que mora em um barraco de madeira montado debaixo de uma árvore.
 
O marido da mais velha da turma, Maria Lúcia, de 48 anos, ficou com medo de perder a esposa. “Lúcia, você vai me largar?”, perguntou ele, preocupado com o futuro da mais nova modelo. Ao que a mulher arretada, como ela mesma se define, rebateu: “Que conversa mais besta, homi!”
 
Mais do que a autoestima, o resgate dessas mulheres mudou também a forma como elas viam a vida. Joice Gomes saiu das ruas e faz tratamento para largar as drogas. Arranjou um emprego de babá e tudo que quer agora é levar a filha, de um ano e meio, para morar com ela. Hoje, a menina fica com o pai.
Para não voltar às ruas, as misses recebem apoio psicológico, médico e odontológico. O próximo passo é o emprego. Com coroa, faixa, cetro e o troféu dignidade nas mãos, não será difícil.

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