Governo do Distrito Federal
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25/04/12 às 11h45 - Atualizado em 13/11/18 às 14h37

250 mil pessoas visitaram a Bienal do Livro e da leitura

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Nem parecia que era segunda-feira. No último dia da Bienal Brasil do Livro e da Leitura os corredores ficaram lotados. Muita gente queria aproveitar as últimas horas da feira pra comprar livros com desconto.

E descontos não faltaram. Era preciso só paciência para encontrar o livro desejado. No estande da Editora Senac, qualquer volume custava a metade do preço. Em outro, qualquer livro por dez reais. Tudo para limpar os estoques.

De acordo com a organização da Bienal, em dez dias, cerca de 250 mil pessoas passaram pelos 158 estandes do pavilhão montado no gramado em frente ao Complexo Cultural da República.

Os números 

1 – 80 mil títulos foram expostos na Bienal, incluindo os últimos lançamentos do mercado editorial;


2 – 158 estandes com a participação de editoras, distribuidoras, livrarias e órgãos governamentais ligados à cultura e ao livro;


3 – Estimativa de 250 mil visitantes nos pavilhões participando de debates, palestras e área jovem e infantil. Além de mais 210 mil em show musicais, entre público geral , estudantes e professores;


4 – A previsão de negócios foi de R$ 3 milhões da SEDUC – GDF, distribuídos para professores e alunos do Distrito Federal para aquisição de acervos, além de mais R$ 3 milhões de negócios realizados pelos expositores junto ao público visitante e negócios efetivados entre o mercado livreiro;


5 – Considerando o valor dos negócios, ou seja, R$ 6 milhões, divididos pelo preço médio de R$ 18,00 por livro, pode-se considerar que foram comercializados 334 mil livros;

 

6 – Os segmentos literários mais procurados foram: literatura geral, últimos lançamentos, obras dos autores convidados, auto ajuda, literatura infanto-juvenil, esotéricos e religiosos e literatura acadêmica;


7 – A Bienal ofereceu livros a partir de R$ 5 reais, as editoras universitárias ofereceram até 40% de desconto ao público, os professores e escolas tiveram garantidos no mínimo 15% de descontos em suas compras, além de muitos outros descontos e vantagens.


Crianças aplaudem de pé o cartunista Ziraldo, homenageado no evento

Havia frisson horas antes da cerimônia de encerramento da I BIENAL BRASIL DO LIVRO E DA LEITURA, na noite de segunda-feira, com a promessa da presença do cartunista e escritor Ziraldo. Um dos grandes homenageados da BIENAL – ao lado do nigeriano Wole Soyinka, prêmio Nobel de Literatura – Ziraldo é uma unanimidade nacional. Pais e filhos circulavam pelos estandes de editoras, aproveitando as promoções do dia de encerramento, mas de olho na fila que se formava à frente do Auditório Nelson Rodrigues. E pouco mais de uma hora antes, crianças com livros nas mãos já estavam em frente ao local. Olhos ávidos, excitação evidente.


E valeu a pena esperar. Ziraldo brilhou. Comovido com a apresentação do coral Primo Canto, da Escola de Música, que preparou especialmente para a ocasião interpretações das músicas Canção da América e Menino Maluquinho, Ziraldo quebrou o protocolo, jogou beijos para a plateia, pediu bis.


A cerimônia contou com a presença do Secretário Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, do Secretário de Cultura do DF, Hamilton Pereira, do Secretário de Educação, Denilson Bento, do coordenador geral da BIENAL, Nilson Rodrigues e do presidente do ITS – Instituto Terceiro Setor, realizador do evento, Eduardo Cabral. Em suas falas, todos fizeram questão de destacar a genialidade do homenageado e saudar o sucesso do evento. Mas Nilson Rodrigues, amigo de Ziraldo de longa data, foi além: “O Ziraldo é uma das personalidades mais extraordinárias que este país já produziu. Ziraldo, você é um amor”.


Foi o Secretário de Educação, Denilson Bento, que divulgou para a plateia uma ideia defendida por Ziraldo. “Ele nos ensinou que aquelas crianças que não gostam de ler, precisam ser estimuladas e um dos métodos é dar a elas um diário para que escrevam tudo o que acontece com elas em cada dia. Eu fiz isso lá em casa e está funcionando”, revelou o Secretário.


Representando a Presidenta Dilma Roussef, o Secretário Gilberto Carvalho destacou a coragem e a ousadia dos realizadores do evento. “Eu sei a loucura que foi”, celebrou. “Mas foi uma vitória para Brasília. Não havia melhor forma de comemorar os 52 anos da cidade. Brasília ganhou um presente e, em nome da Presidenta Dilma e do Presidente Lula, que me ligou hoje, eu parabenizo a todos e, em especial a Ziraldo, que fala à criança que está dentro de cada um de nós”.

O Secretário Hamilton Pereira começou seu discurso confessando que estava chegando ao final de uma tempestade, mas que valeu à pena. E enfatizou: “Nós temos que incorporar a quarta dimensão, que é a cultura, que atende também pelo nome de educação. Nós somos dois anjos com uma asa só: só voam quando estão abraçados”.


Do alto de seus quase 80 anos, Ziraldo disse ter achado exagerados os elogios feitos por todos os participantes da cerimônia. Mas conjecturou, entre risos: “Acho que se todos concordam, eu devo merecer”. O cartunista contou vários casos e distribuiu conselhos que cativaram a plateia. O primeiro: “Se você chegar aos 80 anos de idade e não tiver amigos como estes que eu tenho, é porque andou bebendo no botequim errado. Eu bebi no certo”.


Ziraldo saudou o público, dizendo que esta era a praia dele: conversar com gente que sai de casa de noite, com chuva, deixando a novela e indo num encontro que celebra a leitura. Com muita irreverência, destacou: “Ao fim e ao cabo, o que nos interessa são as nossas relações de afeto. O brasileiro é o povo mais afetuoso do mundo. Com toda a violência que existe aqui, os estrangeiros chegam e não querem mais sair. Ficam sem saber o por que e eu lhes digo: isso é afeto, cara! Nós somos assim”.


A cada caso relatado, o cartunista recebia aplausos efusivos. E provocava muita risada, como quando apresentou seu pensamento pouco ortodoxo a respeito do ensino da gramática: “Não há a menor hipótese de uma criança de 10 anos saber o que é um objeto não palpável. Por que raios tem que saber distinguir o que é objeto direto de objeto indireto? Até hoje eu não sei…”


Mas Ziraldo também sabe falar sério: “Nós todos sabemos que o grande problema do país é a educação. Um povo educado vai ter mais saúde, vai ser menos violentos, vai ser menos canalha, vai ter mais fé na vida. Mas como educar sem saber ler e escrever. A grande informação está na escrita. Então, pais, não deixem suas crianças conhecerem o computador antes do livro!” Palavra de quem conhece criança como ninguém.

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